“Não dá para entender o dano do Brasil hoje sem deixar de entender essas relações de dominação que decorrem da nossa inserção nesse capitalismo é rentista, neoextrativista, financeirizado”

Por Jackson Lima e Julia Guanabara

A urbanização dependente avança em conjunto com um capitalismo rentista. Segundo o professor Luiz César de Queiroz Ribeiro, em sua palestra na aula inaugural do departamento de Ciências Sociais da PUC-Rio, afirmou que a urbanização nas periferias do capitalismo tem ficado de lado em favor de um sistema de produção focado nos centros financeiros. O pesquisador, com foco em urbanização e mobilidade  urbana, dissertou sobre os direitos à urbanização e trouxe em primeira mão o lançamento do seu livro, baseado em uma pesquisa “A Nova Urbanização Dependente no capitalismo rentista-neoextrativista”. 

Luiz César de Queiroz Ribeiro, Marcelo Burgos e Ricardo Ismael (Foto: Julia Guanabara)

 “O urbano está em todo lugar. Ele está se constituindo fora daquilo que morfologicamente chamávamos de cidade”. Disse o professor, trazendo a reflexão que o urbano não está apenas em metrópoles dos centros urbanos, mas também em diferentes setores da sociedade que são considerados rurais, espaços como pequenas cidades e pequenas concentrações populacionais. 

A partir disso, o tema destaca que, no sistema econômico atual, grandes empresas e centros financeiros conseguem lucrar com essas camadas populares mesmo sem intervir diretamente nos processos produtivos. Essas captações de recursos vêm de diferentes formas, como endividamentos e gentrificação do meio urbano.

Luiz César de Queiroz Ribeiro (Foto: Julia Guanabara)

Dessa forma, o “Neoextrativismo”, termo destacado por ele, corresponderia à captação e acumulação de recursos pela exploração de valores de economias locais, centros populacionais por meios de produção e financeiros que controlam setores sociais, cadeiras de poder, centros econômicos e mercados de trabalho. 

Esse processo de acumulação capitalista leva ao rentismo, em que, por via dessas captações, a renda se concentra em setores econômicos e industriais. Luiz César exemplifica esse sistema por meio das big techs, empresas como a Amazon concentram mais capital que nações inteiras, conseguindo intervir em seus mercados internos de maneira indireta. Essas empresas e as nações responsáveis por elas controlam quase a totalidade da produção de ciência e tecnologia no planeta. De acordo com seu livro, os EUA concentram 59% dos pesquisadores de IA, China 11%, Europa 10%, assim, promovendo a exclusão das periferias globais desses mercados.

Luiz César de Queiroz Ribeiro ministra a aula inaugural do Departamento de Ciências Sociais da PUC – Rio (Foto: Julia Guanabara)

Nesse capitalismo, o Brasil é uma plataforma de exploração, fazendo com que, toda economia e política macroeconômica tende a funcionar para sustentar o país como plataforma de renovação desse capital financeiro, que envolve as nações, causando uma desindustrialização precoce. 

“A ideia é concentração espacial do capital em um território. E o poder absoluto sobre esse território”