Cerimônia contou com a presença de familiares e amigos

Por Pedro Luiz Meireles

A missa de sétimo dia em homenagem ao professor e poeta Affonso Romano de Sant’Anna, realizada nesta segunda-feira (10), na Igreja do Sagrado Coração de Jesus, foi conduzida pelo Reitor Pe. Anderson Antonio Pedroso S.J., que enalteceu a história do escritor. Alessandra Colasanti, filha de Affonso, destacou momentos vividos com o pai, o legado deixado na PUC-Rio e o companheirismo com Marina Colasanti, também falecida este ano. A cerimônia contou com a presença de familiares e amigos do escritor.

– Quando eu fiz 19 anos, meu pai me deu o carro dele de presente. Mal sabia que, naquele gesto generoso, ele me deu, além do carro, senso de pertencimento. A sensação de ter livre trânsito na PUC-Rio era mais do que uma facilidade prática. Vou ter livre trânsito no centro da vida do meu pai. Estar onde o coração dele está. Hoje, esse pai, poeta, doce, piadista, protestante, self-made intelectual e pedreiro de casa de boneca, desembarcou para a margem de lá da vida. E na beira do cais, em meio às nuvens, cantam e empunham bandeirolas, na maior expectativa e alegria, vovó Maria, vovô Jorge, tio Carlos, tio Duílio, tio Pedro, minha irmã Fabiana, nossa cachorrinha Pix e a flor maior, amor e alma gêmea, Marina Colasanti. Vai, Afonso. Ser ainda mais brilhante no pós-vida.

A atual coordenadora do Departamento de Letras, Marina Cristina Guimarães, relembrou a trajetória de Affonso Romano na PUC-Rio, como na época de criação do programa de pós-graduação em Letras, em 1970. 

– Querido e admirado por seus colegas, Affonso exerceu a direção do Departamento de Letras entre os anos de 1973 e 1976, tendo sido sempre reconhecido por sua gestão tão humana. Teve atuação decisiva na criação do programa de pós-graduação em Letras, que hoje divide-se em dois programas: Programa de pós-graduação em estudos da linguagem e programa de pós-graduação em literatura, cultura e contemporaneidade. 

Marina Cristina Guimarães, Eliana Yunes, Vera Follain e Julio Diniz. (Foto: JP Araújo)
Maria Cristina Guimarães, Eliana Yunes, Vera Follain e Júlio Diniz. (Foto: JP Araújo)

Amigo e ex-aluno, o professor Júlio Diniz recitou uma carta em homenagem a Affonso Romano de Sant’Anna, que ressaltou o legado deixado por ele e sua presença marcante em todos os lugares por que passou. 

– Sempre interessado, generoso, polêmico, amável, amigo, disponível para os enigmas e desafios da vida, seja na PUC, na UFMG, na UFRJ, Educação Biblioteca Nacional ou em qualquer lugar. Mais de 60 livros, centenas de colunas em jornais e revistas, aulas, conferências e provocações admiráveis, projetos de democratização do acesso ao livro, do direito à leitura. Que trajetória, meu amigo, meu mestre. Venho aqui como seu ex-aluno, colega de departamento, companheiro de lutas, parceiro de projetos e sonhos, seu admirador confesso. Da PUC, você deixou um legado importantíssimo, não só em relação ao departamento de Letras, mas para toda a Universidade. 

Vera Follain, representante dos graduandos do professor Affonso Romano de Sant’Anna, explicou a importância de sua orientação e como suas leituras atentas aos aspectos formais dos textos não se isolavam no contexto social e político em que estavam inseridos.

– A escolha de Affonso como orientador, pelos pós-graduandos, para além da consistência teórica que o professor demonstrava, se devia ao fascínio que sua irreverência elegante despertava. Éramos orientados ao mesmo tempo pelo teórico, pelo crítico literário, pelo poeta. Assim, éramos orientados também pelo intelectual Affonso Romano Sant’Anna.

Affonso Romano de Sant’Anna morreu no Rio de Janeiro aos 87 anos, no dia 4 de março. Ele sofria  de Alzheimer. Mineiro de Belo Horizonte, era formado em Letras Neolatinas pela então Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da UMG, atual Faculdade de Letras da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). O poeta ficou conhecido por sua pesquisa sobre a obra de Carlos Drummond de Andrade, realizada durante o doutorado. Com a coletânea “Que país é este?”, Affonso Romano de Sant’Anna  ganhou o Prêmio Jabuti.