Em Aula Magna da PUC-Rio, embaixador André Corrêa do Lago, presidente da COP30, defende multilateralismo e afirma que aquecimento global é inimigo da humanidade
Por Rafael Amorim
Os pilotis do Kennedy se transformaram no palco de um dos debates mais relevantes deste ano para o Brasil e o mundo. Acompanhado por alunos, professores, funcionários e convidados – como o ex-ministro da Fazenda Pedro Malan, o ex-secretário de Política Econômica Winston Fritsch e o ex-presidente do Banco Central Gustavo Franco –, o presidente da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), embaixador André Corrêa do Lago, alertou que só com o multilateralismo “e a participação conjunta de todos os países” será possível superar os desafios ambientais.
O chamado permeou a Aula Magna ministrada em 11 de março, na abertura do ano letivo da PUC-Rio, um dia depois de Corrêa do Lago ter divulgado a primeira carta oficial sobre a Conferência do Clima marcada para novembro, em Belém. O documento publicado pelo governo brasileiro ressalta a urgência da mobilização conjunta no combate ao aquecimento do planeta.
“Estamos fazendo um chamado para que todos se unam em torno desse inimigo comum da humanidade, que é a mudança do clima. Isso só pode ser feito por meio do multilateralismo, porque todos os países têm que participar. É um tema que precisa ser extremamente bem tratado por todos. Senão, uns fazem, outros não fazem, e desestimula quem está procurando fazer”, destacou Corrêa do Lago. “O Brasil tem se esforçado para o engajamento mundial na COP30”, completou.
A necessidade de esforços multilaterais e multidisciplinares também foi reforçada pelo reitor da Universidade, Padre Anderson Antonio Pedroso, S.J. , na abertura da Aula Magna. Ele observou que a Academia está alinhada a esforços decisivos aos avanços socioambientais e democráticos:
“A PUC-Rio faz parte de um projeto de país democrático, inclusivo, comprometido com as grandes causas, e que propõe soluções também para o país. Temos uma história de busca de soluções para o nosso país. Trazer o presidente da COP30 expressa essa contribuição da Universidade. É algo extraordinário. Não poderíamos começar melhor o ano”.
A exigência da mobilização plural para conter o aquecimento global ecoou ao longo da Aula Magna. Para Corrêa do Lago, o Brasil será lembrado como o país que estava no lado certo da História, ao buscar protagonismo na causa ambiental:
“A grande contribuição que o Brasil tem a dar, como um país em desenvolvimento, é mostrar o quanto nós temos de ciência e de academia avançada, trabalhando em temas que são de interesse também para o restante do mundo. Ou seja, a universidade brasileira não está só trabalhando pelo Brasil. Ela também está dando confiança ao mundo.”
Os esforços coletivos, acrescentou o presidente da COP 30, não podem partir apenas dos governos. Envolvem os vários setores da sociedade:
“O Brasil chama o mundo a se juntar no combate à mudança climática. Mas o mundo não são só os países. São as universidades, os cientistas, as empresas, os governos subnacionais, todos juntos, para entender de que maneira cada um de nós, individualmente, pode fazer uma diferença imensa no combate às mudanças climáticas.”
O embaixador salientou que a COP30 constitui “a maior oportunidade para o Brasil” ajudar a melhorar o mundo contemporâneo e se tornar uma referência em questões climáticas. Segundo o diplomata, a realização da conferência na Amazônia coloca a região no centro dos debates ambientais e permite que pesquisadores, cientistas e lideranças globais vejam de perto os desafios enfrentados pelo bioma mais rico em biodiversidade no planeta. Ainda de acordo com Corrêa do Lago, essa visibilidade pode ajudar o desenvolvimento e a aplicação de políticas comprometidas com a preservação e a sustentabilidade amazônicas.
Investimentos para o meio ambiente
O embaixador confia que a visita de representantes de diversos países à região atraia investimentos para projetos direcionados à conservação do meio ambiente, ao uso consciente dos recursos naturais e à geração de energia limpa. Na avaliação dele, as iniciativas vão ao encontro do objetivo primário da COP30 de buscar soluções globais para garantir o crescimento econômico sem afetar a preservação ambiental.
As universidades brasileiras, reiterou Corrêa do Lago, desempenham um papel fundamental na criação de programas sustentáveis. “Dão um exemplo para o planeta, ao mostrarem que o progresso científico é indispensável no combate às mudanças climáticas”, frisou ele, em entrevista ao Jornal da PUC:
Em consonância com as contribuições da Academia para a agenda ambiental, Padre Anderson Antonio Pedroso, S.J., enfatizou a importância de a Universidade participar das discussões ambientais. “A PUC-Rio se posiciona ativamente pela ciência e pelo meio ambiente”, afirmou o reitor. Ele lembrou o compromisso com os valores e princípios da encíclica Laudato Si’. Lançada pelo Papa Francisco, em 2015, essa Carta defende o cuidado com a natureza e a urgência de enfrentar a mudança do clima.
Ao final da palestra, alunos de diversos cursos participaram do debate, fazendo perguntas ao embaixador.