Aula Inaugural do Departamento de Geografia e Meio Ambiente da PUC-Rio abordou a relação da Indústria com o território

Por Ana Beatriz Rangel e Camila Cunha Guanabara

Com o tema “Geografia aplicada à projetos sociais: como reconhecer territórios impacta nas ações’’, o foco principal da Aula Inaugural do Departamento de Geografia e Meio Ambiente da PUC-Rio foi a responsabilidade social que as empresas devem ter em relação à sociedade ao redor, um investimento que não necessariamente retorna à empresa mas sim, à comunidade. A Gerente de Projetos Integrados em Responsabilidade Social na Gerência Geral de Negócios da Firjan, Eliane Damasceno, foi a palestrante e apresentou ao público a função e resultados da Firjan em parceria com empresas e comunidades locais. 

Nesse sentido, reconhecer territórios e suas necessidades sociais, culturais e ambientais é relevante para criar programas de assistência social. Damasceno falou de projetos que participou em sua carreira, entre esses se destaca o Niterói Ecosocial I & II. O programa realiza a qualificação e inclusão social de jovens em situação de vulnerabilidade social da cidade de Niterói no âmbito do Programa Pacto Niterói Contra Violência. Entre 2002 e 2024 foram  800 jovens de 36 comunidades do local que participaram de qualificações do SENAI, Desenvolvimento Humano do SESI e trabalho de campo para desenvolvimento de ativos comunitários e mapas ambientais, e ao mesmo tempo afetivos, de seus territórios a partir de ferramentas de georreferenciamento.

O georreferenciamento é feito através do mapeamento participativo e pesquisa de campo, assim, um mapa repleto de informações sobre aquela comunidade é criado. O mapeamento participativo consiste em fotos de diversos locais de uma comunidade, seguidas de informações coletadas por meio da observação dos voluntários, separadas por categorias e dispostas no site da Firjan. Já a pesquisa de campo é feita a partir de perguntas sociais e culturais aos moradores.

Eliane Damasceno (Foto: Ana Beatriz Aprigio)

Eliane lembra então a importância de juntar a Geografia na atuação social:

– A inovação social, ela preconiza você olhar quais são as questões sistêmicas que impactam numa determinada realidade, num determinado resultado.

Damasceno recorda a contribuição de Milton Santos nessas questões e como ele já enfatizava a importância de práticas que promovessem a justiça territorial, onde os benefícios produzidos por um empreendimento sejam efetivamente partilhados com aqueles que habitam o território. Para ele, esse ato não envolve apenas compensações financeiras, mas a promoção de projetos que gerem bem estar social, econômico e cultural para a população local.

Damasceno lembra as contribuições de Milton Santos (Foto: Ana Beatriz Aprigio)

Eliane lembra a colaboração de Santos e questiona como mudar esse futuro, uma das alternativas é então levar o território para dentro da indústria.

– Olhando para o que o Milton Santos fala, um dos aspectos é a industrialização das grandes corporações. Ele começa falando dos aspectos críticos, mas como é o aspecto esperançoso desse processo. O que que a gente como indivíduo, como profissional pode fazer nesse processo? Para mim, é através da tradução do mundo, do território da comunidade, que se encontram estratégias para este local, mas em diálogo com a empresa que traz o investimento.